Madrid

Do calor que sobe pelo chão adocicado, eu guardava a memória. Lembro-me de o odiar um pouco, de desejar apenas uma coca-cola, de pensar, que sandálias rimam com o deserto?

Hoje o calor que sobe, enreda-se devagar, degustando a pele que, menos seca, se lembra dele, e se lhe oferece, refeita. Ele pára no joelho, não se atreve ir mais além.

Podia.

Aqui a saia é curta, o calção apertado, os olhares não se impõe, discretos, silenciosos. Estarão? Talvez sim, talvez não. A perna é do cimento que queima. Só isso importa.

Hemingway não tomou café aqui. Nem ali. Quem tomou era eu.

Não fui, é licença poética, não é gramática. Era eu.

Madre mia, como ha cambiado tu letra!

Pois sim senhora. Essa que era eu, era inocente, e redonda na escrita. Hoje sou redonda na forma e linear no escrever. O traço oferece-se ao destino rápido, não está para conversas. Tome lá, dê cá.

O Juan Carlos assinou também. Depois assassinou um animal selvagem e a monarquia.

Um mestrado em filosofia deve ter provas de crime.

Crimes.

Vários.

Agora assinados.

Por isso senhora, quer que desenhe tudo redondinho, quando as coisas são pontiagudas?

Nem importa, o calor sobe pela cadeira acima. É melhor afoga-lo em cerveja. Da mais simples, muita espuma, bem amarela. Saudades das simplicidades. Azeitonas. Saudades do envinagrado.

Em sua incoerência, este amor é de verdade.

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