Sóbrio

Ele era assim como uma floresta, tanto de escura como de clara, sabíamos sempre que a encontraríamos: sépia de dia, branco e negro de noite.Ele era assim, como o sobretudo do teu avô, o meu avô , que trabalhava com têxtil poderia ter tido um sobretudo diferente do teu, mas não tinha. É esse sobretudo, que ele é. Sóbrio, comprido, azul escuro, reto, e suave. Sóbrio como uma verdade sem malícia, como a honestidade sem véu. Ele era sóbrio até quando ria, ria sem perder a seriedade, enrugando o olho sem o fechar, sóbrio para ver sempre, sem iludir nada, sem esconder nada. Sóbrio como o mel de sempre, na torrada de todos os dias.

Ele era um lago com cheiro a pinheiro, sóbrio de resistir às estações que o tentavam a esvaziar-se ou encher-se.Tinha a seriedade na ponta dos dedos, ossudos e longos como o pianista que quase fora, como o violinista que quase era, como o pintor que seria, ainda. Sóbrios dedos, de sóbria temperatura. Sóbrio no abraço, na carícia, no afago. Sóbrio como a floresta que firme, ainda dança para o teu olhar.Sóbrio como o tempo que passava, colorido e por colorir, deixando o rasto de um caminho, que ele sóbrio, não me deixava fazer sozinho.

Exercício para a escrevedeira. Comparações.

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