Sofia

Tem cada maluco nessa vida. Pior. Não tem como saber antes. Mudas-te para um apartamento, num edifício novo e não tem como saber a quantidade de malucos por metro quadrado.

Se o meu pai soubesse, nunca tinha comprado este apartamento. O vizinho da frente não conversa com ninguém, tem quatro gatos e um tapete cheio de fios de pelos. Um tapete grisalho.

O do oitavo andar joga dejetos de seus peixes pela janela. Não é que eu ache mal que peixe faça as suas necessidades, é que elas voam e aterram como tromba de água em qualquer um que esteja entrando. Ou saindo, que é pior ainda.

O pior de todos, é o menininho do quarto andar.

Desde que nos mudámos que percebi que ele é meio personagem, sabe? Tipo assim, calça muito alta, mais alta que cintura, suspensório, óculo quebrado reatado com fio de algodão. Figurinha. Quando éramos crianças, era até divertido, chamávamos o menino para brincar. Firmin! Ele vinha sempre, só que nunca sabia como brincar. Ficava olhando de longe, entre encabulado e metediço. Na piscina não entrava, ficava com o pé na água e o corpo na sombra. Sempre branco, sempre magro.

Aí um dia, escaldou o pé.

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