insiste

Insiste é um existe. O que mais insiste,  não existe.

Quer se fazer existido? Ou existência?

Coisa ou sujeito?

Não é claro.

Por isso insiste.

É verdadeiro?

Tem vezes.

E subtrações.

E adições.

E às vezes encontros. Duas insistências podem ser só uma. Ou trezentas.

Repito tantas vezes trezentas. É coisa que me insiste.

Porquê?

A insistência faz-se existência pela pergunta.

Corro o risco de estar a ser mais analítica que poeta.

Insiste-me a análise.

Do que seja.

E às vezes, amargura-me a existência.

Neste caderno…

Neste caderno, ervilhas, grão, água, leite sem lactose, riscado, de arroz, de arroz não vai bem com café, de amêndoa, amêndoas, chocolate, ovos, não esquecer ovos, pediatra as quatorze, telefonar para o seguro, 9122569 Ana Cláudia, mãe da Alice, entre parênteses, amiguinha do Miguel, mamã essas calças estão engordadas, comprar outras calças, hm com promoção, segunda tem metade grátis, um metro e dez centímetros, confirmar inscrição para o clube livrariazinha, o passaporte caduca, agosto, pedir hora, maionese, atum, tostas, que a noite é da preguiça, mas ele precisa sopa, espinafre, grão, fusilis dos normais, barilla, dois traços e os que façam falta, barilla, nada de integral, pontos do lidl, campanha grão a grão, dez por cento numa compra de menos de cem euros, amiguinha faz lá o desenho da família, e a Maria que faz agora, aqui e na mesa, ah cif, cif e esponja, marca página, nome do cantor que o Pedro gosta, o dia que Pedro vai no médico, era hoje, e o pediatra, ah dia quatorze ás quatorze, baba de camelo à algarvia leva natas, dois pacotes de nata, que não sejam parmalat, nacional é bom, se não for massa, massa é barilla, fecho as folhas, os azulejos, este sem elástico, esta quase no fim, neste caderno  quase cheio, neste caderno anoto tudo.

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