Quando se é emigrante, e basta uma vez, sabemos bem que nada é eterno…as amizades, os amores, as vidas. Que o país que é nosso pode ser outro, alheio. Que o nosso lugar no mundo é giratório. Que a memória é breve. Sabemos o pouco que tudo permanece. Isso faz uma ferida, um corte, uma cicatriz. E é preciso muito para nos rasgar de novo. E sabendo isso, nada nos prepara para dias como este domingo. Momentos como deste verão. Em que ardem memórias, e ardem seguranças, arde o legado lusitano ou o que se possa chamar de orgulho em nós. O d.Dinis e a sua luta contra o pantanoso fim do mundo. A Lousã e as suas aldeias mágicas. Quiaios e toda a casa de tantas infâncias. Ardem vidas com um mês. Vidas dentro da barriga de uma mãe. Ardem caminhos sem retorno. Ardem os sonhos. Arde o belo. E deixa-nos sem poesia. E olho a mata de Leiria. E a ferida afinal, pode ser mais funda ainda.

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